Entrei a correr na estação e faltava poucos minutos para aquele comboio partir, nem olhei para o destino, comprei o bilhete e entrei nele. Sentei-me no banco junto a janela, coloquei os fones e suspirei.
Enquanto me refugiava na música e no movimento da paisagem que passava por aquela janela, as lágrimas corriam-me o rosto, talvez por ter noção daquilo que deixava para trás, talvez por já estar a pensar em voltar, contudo, não era capaz de o fazer, de aceitar o que tinha visto a minha frente.
Sai na última paragem apenas, em frente conseguia avistar um jardim enorme com um lago no centro, dirigi-me para lá e sentei-me na relva sem conseguir pensar no que iria fazer de seguida, apenas deixei-me estar ali a sentir o cheiro da relva cortada à pouco tempo e a apreciar o som da água quando os patinhos que lá andavam iam brincar.
Era lindo aquele lugar, e transmitia uma paz enorme, senti-me melhor mas o vazio não deixava de existir, muito menos depois de ver um casal a passear com uma menina pequenina que cismava em não deixar os patinhos brincar em paz. Era aquilo que eu queria para mim, um futuro, uma família e aparentemente esse sonho tinha acabado.
Fiquei ali uma, duas horas, nem dei conta que começava a anoitecer, tinha que sair dali, não conhecia nada e começava a ser perigoso estar ali. Quando me ia levantar, alguém se sentou ao meu lado....
